Mercado Modelo

Aqui tem tudo que a Bahia tem! O turista desce a Ladeira do Contorno, apreciando o Solar do Unhão; jóia rara do colonial baiano do século XVII. De um lado está a Baía de Todos os Santos, com o Centro Náutico, a Bahia Marina e o antigo Forte de São Marcelo; do outro lado, o vai-e-vem frenético do trânsito a subir e descer a ladeira, na qual se debruçam pedaços do que se chama a Cidade Alta. Mais abaixo, está a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia – padroeira da Bahia -, o centenário Elevador Lacerda e a fonte de Mário Cravo, na praça do Visconde de Cayru. No coração disso tudo, ergue-se, monumental, o Mercado Modelo da Bahia, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1966.

Mercado Modelo e Elevador Lacerda vistos de cima

Tradicional centro de comercialização de produtos artesanais e um dos principais pontos turísticos de Salvador, o Mercado Modelo é também um ponto de encontro e convivência, além de espaço de animação artística e cultural da cidade. O viver descontraído e movimentado dos boêmios e poetas, dos cantadores e barraqueiros, encontra, no mercado, o lugar ideal. Desde que foi fundado, como centro de abastecimento de gêneros alimentícios de Salvador, reuniu comerciantes e pescadores, marinheiros e saveiristas, bancários e a gente simples da cidade. Esses encontros, no início, se davam entre sacas de camarões salgados e balaios de pimentas recém-colhidas nas pequenas roças ao redor da cidade; entre o cheiro de charutos produzidos no Recôncavo e o da cachaça destilada em alambiques de várias partes do estado. Símbolo tradicional da história e da cultura da Bahia, o mercado atrai visitantes de todo o mundo nesta que é a primeira capital do Brasil. Pouco mais de dois milhões de pessoas, que estiveram em Salvador no ano 2000, foram ao Mercado Modelo comprar seu souvenir.

No mercado de hoje, é possível comprar uma extensa variedade de artigos artesanais: confecções, redes, instrumentos musicais típicos, entalhes em madeira (na sua maioria de inspiração africana), rendas e cestaria da Ilha de Maré, bordados e trançados, bijuterias e adereços, objetos de decoração e utilitários, peças de couro, ferro e cerâmica, as conhecidas bonecas de pano vestidas de “baianas’’, pencas de balangandãs e objetos religiosos, tanto católicos, quanto do candomblé. Você também encontra pedras semipreciosas, xilogravuras e pinturas primitivistas, bebidas típicas – como as famosas batidas de infusão do bar Fênix – e tira-gostos diversos, entre os quais destacam-se as “lambretas”; um tipo de ostra cozida na água e sal, servida com limão e pimenta.

Os azeites dos deuses
Além de uma agência de Correios, um Posto de Informações Turísticas e outro da Polícia Turística, também estão localizados, no Mercado, dois restaurantes de renome. O primeiro, chamado “Camafeu de Oxóssi” – que leva o nome de um negro famoso nos candomblés da Bahia pelo seu profundo saber sobre folhas, plantas e ervas -, tornou-se internacionalmente conhecido graças aos quitutes preparados por Dona Toninha, uma especialista na arte culinária regional. Outro restaurante de destaque nacional e internacional é o “Maria de São Pedro”, que se especializa em moquecas, acompanhadas dos não menos apetitosos carurus e vatapás. Isto para não se falar dos xinxins, dos efós, dos ensopados de camarão ao leite de coco e de tantos outros pratos que servem as mesas dos homens e os altares dos santos da Bahia.

Do lado de fora do Mercado
Ao redor do mercado, os tabuleiros das baianas oferecem os abarás e os acarajés, que servem de tira-gosto para as cervejas, servidas geladinhas, nas mesas que se espalham por esta parte externa e térrea do mercado. Pequenos restaurantes populares se encarregam de preparar os pratos fortes e mais pesados da culinária local, que atraem os próprios baianos e os turistas de paladar mais exótico. Rodas de capoeira do “Mestre Cacau” confirmam, ao som dos berimbaus, o espírito cultural do Mercado Modelo da Bahia.

O outro espaço externo que o mercado ostenta fica no segundo pavimento; uma varanda semicircular, ao redor dos dois restaurantes citados. Do alto, tem-se uma grandiosa visão marítima do que há de mais característico na Baía de Todos os Santos: o azul do mar e do céu, as frutas e mariscos vendidos na rampa do mercado, molhada pelas águas deste pedaço de Atlântico. Por ali, passam os barcos, as canoas e outras pequenas embarcações, que deslizam entre potentes escunas e saveiros ancorados no Centro Náutico da Bahia, vizinho aos primeiros armazéns do Porto de Salvador. Do outro lado, a bonita área aterrada da Capitania dos Portos, vigiada pelo Forte de São Marcelo e, mais ao fundo, disputando espaço com o horizonte, a Ilha de Itaparica. É para lá que o barquinho vai, quando a tardinha cai, neste espaço luminoso, tão cheio de Bahia, chamado de Mercado Modelo.

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