Conheça um pouco da história do carnaval da BahiaGet to know a bit about Bahia’s carnival history

8 de fevereiro de 2010 as 5:42

Clarissa Pacheco – Redação Bahia.com.br

O carnaval de Salvador é hoje a maior festa de participação popular do planeta. Durante seis dias de festa, cerca de 2 milhões de foliões percorrem os circuitos, batizados Batatinha, Dodô e Osmar. Mas, nem sempre foi assim. Até o final do século XIX, a pequena burguesia e a elite se divertiam em desfiles e clubes, com bailes de máscaras ao som de marchinhas.

Os títulos dos circuitos são homenagens a grandes nomes no carnaval baiano. “São justas homenagens, a Dodô e Osmar, criadores do trio elétrico, e a Batatinha também, um dos grandes nomes do samba baiano, uma prova de que o samba é daqui”, afirma o historiador Manuel Passos, que também defende uma homenagem a Orlando Campos, criador do Trio Tapajós. “Entre 1963 e 1979, quando Dodô e Osmar estiveram afastados, foi o Trio Tapajós que segurou o carnaval da Bahia. Portanto, acho que ainda falta uma homenagem para ele”, diz.

Na Baixa dos Sapateiros, a festa dos negros era embalada pelos grupos Embaixada Africana e Pândegos D’África. O “divisor de águas” da Folia de Momo veio mesmo em 1950, com a criação do homenageado de 2010: o trio elétrico. A chegada do carro mais animado da festa, com as guitarras elétricas e o povo em polvorosa criou o primeiro circuito da festa: o Osmar, entre o Campo Grande e a Rua Chile. “Era um circuito único e tudo se concentrava ali. Havia os pontos de encontros dos jovens, dos trios”, explica o historiador.

No início da década de 1980, surgiu o segundo circuito, conhecido como Barra-Ondina, mas oficialmente batizado de Dodô. A restauração e a elevação do Pelô a patrimônio da humanidade fez surgir o último dos circuitos da festa, nas ruas do Centro Histórico, chamado Batatinha. “Uma justíssima homenagem a um dos maiores nomes do samba na Bahia, que foi o Batatinha, uma prova de que o samba é baiano”, diz Passos.

Escolher entre um dos três circuitos implica em adotar horários e gêneros musicais diferentes. Para Passos, o carnaval baiano sempre foi um palco de misturas, de todos os ritmos. “Tudo é permitido. Uma vez a Ave Maria foi tocada às 18h em cima do trio elétrico, com todo mundo em silêncio, foi uma das cenas mais bonitas que eu já presenciei”, testemunha.

Osmar – É nesse circuito que se encontram a maioria dos blocos alternativos, principalmente até o domingo de carnaval. Blocos afro, como o Malê Debalê, Munzenza, Bankoma, Ilê Aiyê e Cortejo Afro, e blocos infantis também passam por esse circuito. A partir do domingo, os blocos mais tradicionais, voltados para a axé music, começam a passar pelo circuito. Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Banda Eva e o trio do Rei Momo fazem a alegria dos foliões entre o Campo Grande e a Praça da Sé.

Dodô – A grande maioria dos blocos de elite faz esse percurso. “O surgimento do circuito Dodô fez com que a elite se deslocasse para lá, deixando o circuito Osmar um pouco de lado”, diz o historiador Manuel Passos. Asa de Águia, Timbalada, Cheiro de Amor, Ivete Sangalo e a Rainha do Axé, Daniela Mercury, fazem o trajeto Barra-Ondina. Este ano, Moraes Moreira também se apresenta, em comemoração aos 60 anos do trio. Pepeu Gomes, Rei Momo, recebe convidados também nesse circuito.

Batatinha – Os independentes se concentram no circuito histórico da festa. Levada do Jegue, Filhos e Filhas de Gandhy, Corisco e Carnapelô são alguns dos principais a desfilarem pelas ruas do Pelourinho.

Para Manuel Passos, a divisão do carnaval baiano em circuitos deu uma nova cara à folia, principalmente com a criação do circuito mais visitado, o Barra-Ondina. “É preciso encontrar formas de restabelecer o circuito Osmar como era antes, como um ponto de encontro que sempre foi”, completa.

Text: Clarissa Pacheco – Bahia.com.br

Salvador’s carnival is today the biggest popular festival of the planet. During six days, around 2 million people go along the circuits called Batatinha, Dodô and Osmar. But it hasn’t always been like that. Until the end of the 19th century, the small bourgeois and the elite used to have fun in parades and clubs, with mask balls under the sound of carnival songs.

The names of the circuits are homage to great names of Bahia’s carnival. “It’s a fair homage to Dodô and Osmar, who invented the electric trio, and to Batatinha, one of the great names of Bahia’s samba, a proof that samba started here”, says the historian Manuel Passos, who also defends a tribute to Orlando Campos, creator of Trio Tapajós. “Between 1963 and 1979, when Dodô and Osmar were separated, it was Trio Tapajós that supported Bahia’s carnival. Therefore, I still think that he should receive a homage”, says Passos.

At Baixa dos Sapateiros, the festival of the African descendents happened under the sound of the groups Embaixada Africana and Pândegos D’África. The change really happened in 1950 when the electric trio was created. The arrival of the car with electric guitars and people following it created the first circuit of the festival: Osmar, between Campo Grande and Chile Street. “It was the only circuit and everything was concentrated there. There were the meeting points of the young people and the trios”, explains the historian.

In the beginning of the 1980’s the second circuit, known as Barra-Ondina but officially baptized Dodô, was created. The restoration and the fact that it was listed as Mankind Heritage made the Historical Center the stage of the third circuit, called Batatinha.

Choosing one of the circuits implies in choosing also the time of the day you want to go out and the musical style you prefer. For Passos, Bahia’s carnival has always been the stage of a blend of very rhythm. “Everything is allowed. Once the “Ave Mary” was played at 6:00pm in a trio, with everybody in silence. It was one of the most beautiful scenes I have ever witnessed.”, says Passos. 

Osmar – It’s in this circuit that we find the majority of the alternative carnival associations, especially until Sunday. Afro associations, such as Malê Debalê, Muzenza, Bankoma, Ilê Aiyê and Cortejo Afro, and kids’ carnival associations also go along this circuit. From Sunday on, the most traditional carnival associations start to pass this circuit. Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Banda Eva and the trio of the Carnival King add joy to this circuit between Campo Grande and Sé Square.

Dodô – The majority of the elite carnival associations goes along this circuit. Asa de Águia, Timbalada, Cheiro de Amor, Ivete Sangalo e a Rainha do Axé and Daniela Mercury are attractions of this circuit. This year, Moraes Moreira will make a show to celebrate the 60th anniversary of the trio.

Batatinha - Levada do Jegue, Filhos e Filhas de Gandhy, Corisco and Carnapelô are some of the main attractions that go along the streets of the Historical Center.

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