Apaches e Comanches mantêm tradição dos blocos de índio

9 de fevereiro de 2010 as 11:40

Clarissa Pacheco – Redação Bahia.com.br

Apaches do Tororó e Comanches do Pelô. Os dois blocos de índio do carnaval de Salvador resistem bravamente, em meio às dificuldades, e continuam a desfilar nas ruas da cidade durante a folia de momo. Os Comanches, de Jorginho Comacheiro, têm 35 carnavais na rua, ininterruptos. Já o Apaches, fundado em 1968, não saiu em 2009. Dificuldades à parte – e polêmicas que envolvem a violência dos machadinhos, utilizados nos desfiles há alguns anos – os dois blocos resistem há mais de três décadas, tudo em nome da alegria e diversão no maior carnaval do mundo.

“Em maio de 1974, Dário Ribeiro da Cunha, que era presidente do Palmeira da Barra e da Sociedade 1º de Maio, me chamou e disse: Jorginho, diga um nome de bloco de índio. Eu falei Tamoyo, Guarany e nada. Quando disse Comanches, ele tirou da maleta um panfleto que dizia: ‘Aguarde Comanches em 1975’. E disse: ‘Você vai botar esse bloco no rua!’. Eu falei que não podia, porque tinha gravado um LP, ia fazer uma viagem. Mas um dia fizeram uma reunião, me convidaram, eu fui e me elegeram presidente do bloco”. A narrativa é Jorginho Comancheiro, 52 anos, atual presidente que leva os Comanches do Pelô até hoje.

Inicialmente chamado de Comanches do Pelourinho, o nome foi abreviado para Comanches do Pelô, por criação do próprio Jorginho. E a tradição de sair às ruas com dançarinos e alas diferentes permanece viva. “Nunca deixamos de sair, apesar de todas as dificuldades”, diz Jorginho. Ao ser questionado sobre o significado do bloco, ele declara seu amor: “Meu filho tem 22 anos e eu o amo demais. Mas o Comanches é o filho mais velho, é o afilhado mais velho, o sobrinho mais velho. É tudo pra nós!”, afirma.

O mesmo não acontece com os Apaches. Fundado em 28 de outubro de 1968 por Antônio Belmiro, Agildo e Edvaldo Góes, o bloco ainda sofre algumas dificuldades para sair às ruas. No ano passado, pela primeira vez, não desfilou, por conta de um problema com as camisetas, que não foram entregues. “Tivemos aquela catástrofe com as camisetas, perdemos o cadastramento esse ano e estamos aí lutando para ver se saíamos pelo menos um dia no carnaval”, diz o atual presidente, Adelmo Costa, 51 anos.

A tradição do bloco, no entanto não permite desistência. “Estamos recorrendo aos amigos, pra ver se conseguimos patrocínio para pagar trio, banda. Nossa programação está fechada, só que agora precisamos de dinheiro para pagar tudo. É torcer para dar tudo certo. E vai”, diz Adelmo confiante.

Programação

Este ano, o tema dos Comanches será “Ê, Santo Amaro de Dona Canô” Infelizmente, sem participação da homenageada, por conta do acidente sofrido no último mês. “Estamos preparando uma homenagem para ela, um teatro de mamulengos, faremos questão de entregar em mãos”, diz Jorginho.

Os Comanches prometem desfilar no sábado, no domingo e na terça-feira. As atrações são SAM HOP com Bam Bam; Tonho Matéria; Jorginho Comancheiro; Banda Aláfia; Toti Gira; Banda A Sombra e Convidados; e Banda Cortesia e convidados. No sábado, a saída será da Rua Araújo Pinho, no Canela, às 16h. No domingo e na terça-feira, a concentração acontece nas proximidades do Hotel da Bahia, a partir das 18h.

Os Apaches pretendem sair no domingo, às 19h30, também da Rua Araújo Pinho, ao som da Banda na Varanda.

Um comentário

1 Comentário em "Apaches e Comanches mantêm tradição dos blocos de índio"

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